São 9h47 de uma terça-feira de manhã, e seu celular não para de vibrar. Um pai acabou de postar no Facebook que seu filho se machucou durante o acampamento de fim de semana da tropa escoteira -- e o post já está sendo compartilhado. Sua caixa de entrada tem seis mensagens não lidas de outros pais exigindo respostas. Um repórter local deixou uma mensagem de voz. Seu co-líder está te mandando mensagem: "O que a gente diz?" Você está parado no corredor do supermercado e não tem absolutamente nenhuma ideia.

É assim que uma crise se sente para um líder comunitário. Não o tipo de problema lento que se anuncia em reunião. O tipo súbito, visceral, tudo-está-pegando-fogo. E as primeiras palavras que saírem da sua boca -- ou do seu teclado -- nas próximas horas vão determinar se sua organização sobrevive com a confiança intacta ou passa os próximos dois anos tentando se recuperar.

Toda organização comunitária, por mais bem administrada que seja, eventualmente enfrentará uma crise. De acordo com pesquisas sobre preparação para crises em organizações sem fins lucrativos, 75% das organizações relataram ter experimentado pelo menos uma crise organizacional em um período recente de 24 meses. A questão não é se vai acontecer. É se você saberá o que dizer quando acontecer.

Por Que Crises Comunitárias São Diferentes

Comunicação de crise corporativa tem uma indústria inteira por trás -- agências de PR, equipes jurídicas, treinadores de mídia, declarações pré-escritas revisadas por uma dúzia de pessoas antes de serem divulgadas. Organizações comunitárias têm... você. Talvez um conselho voluntário. Talvez uma conta compartilhada do Gmail.

Mas os riscos em uma crise comunitária são, de certa forma, ainda maiores do que em uma crise corporativa. Em uma empresa, as partes interessadas são clientes e acionistas. Em uma comunidade, as partes interessadas são seus vizinhos, seus amigos, as pessoas que você vê no supermercado e se senta ao lado na missa de domingo. O tesoureiro que geriu mal os fundos não é algum executivo sem rosto -- é o cara que treinou o time de futebol do seu filho. O líder que renunciou sob pressão é alguém com quem você compartilhou refeições por anos.

Essa intimidade corta dos dois lados. Torna as crises mais dolorosas, mas também dá a você algo que as empresas não têm: relacionamentos genuínos e uma reserva de boa vontade. A chave é não desperdiçá-la lidando mal com a crise.

As Crises Que Você Realmente Vai Enfrentar

Guias de comunicação de crise adoram falar sobre recalls de produto e vazamentos de dados. Aqui está o que realmente dá errado em organizações comunitárias:

Má gestão financeira ou fraude. Essa é a grande. Um sexto de todos os casos de desfalque nos EUA envolve organizações sem fins lucrativos e religiosas. A perda mediana é de US$ 76.000 -- o suficiente para devastar uma organização pequena.

Incidentes de segurança. Uma criança se machuca em um evento do grupo juvenil. Alguém cai em um mutirão da horta comunitária. Um bombeiro voluntário se machuca durante um exercício de treinamento.

Má conduta ou renúncia súbita de líder. Um pastor é acusado de comportamento inadequado. Uma presidente de APM renuncia em meio a alegações de bullying.

Decisões controversas. O conselho do condomínio vota pela proibição de aluguéis de curta duração, e metade da vizinhança está furiosa.

Eventos externos com impacto interno. Um desastre natural danifica suas instalações. Uma matéria jornalística coloca seu tipo de comunidade sob luz negativa.

Cada uma dessas crises requer um tom e abordagem diferentes, mas todas compartilham uma necessidade comum: alguém precisa dizer algo, logo, e precisa ser a coisa certa.

As Primeiras 24 Horas: Um Guia de Sobrevivência

A pesquisa sobre comunicação de crise é unânime em um ponto: velocidade importa. Você não precisa ter todas as respostas em cinco minutos. Mas precisa ter dito algo.

Hora 1: Reconheça e estabilize.

Pare tudo. Se houver uma preocupação imediata de segurança, resolva primeiro. Depois emita o que profissionais de crise chamam de "declaração de espera":

"Estamos cientes da [situação/incidente] e estamos ativamente reunindo informações. A segurança e o bem-estar dos nossos membros é nossa prioridade máxima. Compartilharemos uma atualização mais completa até [horário específico]. Se tiver preocupações imediatas, entre em contato com [nome] em [telefone/e-mail]."

Você não admitiu culpa. Não especulou. Não prometeu nada que não pode cumprir. Mas quebrou o silêncio.

Horas 2-6: Reúna fatos e monte sua equipe.

Identifique quem precisa estar envolvido. Uma voz. Uma mensagem. Declarações conflitantes de múltiplos líderes vão piorar uma situação ruim.

Reúna apenas fatos confirmados. Não especule. O mantra da comunicação de crise é: diga o que sabe, diga o que não sabe, e diga o que está fazendo para descobrir.

Horas 6-24: Emita uma declaração substantiva.

O Framework de Mensagem de Crise em Quatro Partes

Toda declaração de crise eficaz responde quatro perguntas:

1. O que aconteceu. Declare os fatos claramente, sem eufemismos. "No sábado, 12 de outubro, uma criança sofreu uma lesão durante o acampamento da nossa tropa no Parque Riverside."

2. O que sabemos (e o que não sabemos). "A criança recebeu primeiros socorros imediatos e foi transportada ao hospital pelos pais. Ainda não temos detalhes completos sobre as circunstâncias e estamos conduzindo uma revisão minuciosa."

3. O que estamos fazendo a respeito. "Iniciamos uma revisão interna dos nossos protocolos de segurança para atividades ao ar livre. Contatamos todas as famílias que tinham filhos no evento."

4. O que acontece em seguida. "Compartilharemos os resultados da nossa revisão dentro de duas semanas. Enquanto isso, todas as atividades planejadas seguirão procedimentos de supervisão reforçados."

Estratégia de Canais: Onde e Como Comunicar

E-mail é sua âncora. Uma comunicação direta e escrita para toda sua lista de membros deve ser seu canal principal.

Reuniões presenciais importam enormemente. Para crises sérias, agende uma reunião. As pessoas precisam fazer perguntas, ver seu rosto e ouvir seu tom.

Redes sociais exigem gestão ativa. Poste sua declaração oficial. Não entre em discussões nos comentários. Não delete comentários críticos a menos que contenham ameaças. Lembre-se: informações falsas se espalham seis vezes mais rápido nas redes sociais do que informações factuais.

Não esqueça seu público interno. Membros do conselho, voluntários-chave precisam ouvir de você antes de ouvirem das redes sociais.

O Que NÃO Fazer: Os Erros Que Pioram Tudo

Ficar em silêncio. Silêncio nunca é neutro durante uma crise -- é interpretado como indiferença, culpa ou incompetência.

Negar ou minimizar. "Não foi tão sério." Mesmo que acredite nisso, dizê-lo publicamente diz aos membros que você não leva as preocupações deles a sério.

Culpar outros. Apontar dedos faz você parecer defensivo e irresponsável.

Prometer demais. "Isso nunca mais vai acontecer" é uma promessa que quase certamente não pode cumprir.

Usar voz passiva ou jargão corporativo. "Erros foram cometidos" é o exemplo clássico. Quem os cometeu? Assuma.

Após a Tempestade: Reconstruindo Confiança

Cumpra cada promessa que fez. Se disse que compartilharia os resultados da auditoria em duas semanas, compartilhe em duas semanas.

Conduza uma avaliação real. O que aconteceu? O que fizemos bem? O que fizemos mal? O que precisamos mudar?

Implemente mudanças visíveis. Se a crise revelou uma fraqueza de controle, corrija e diga às pessoas que corrigiu.

Dê tempo às pessoas. Alguns membros vão sair. Foque em quem ficou e demonstre através de ação consistente que a organização mudou.

Não finja que não aconteceu. Reconheça o que aconteceu como parte da história da sua organização.

Construa o Plano Antes de Precisar

O pior momento para descobrir comunicação de crise é durante uma crise. Toda organização comunitária deve ter documentado:

Uma árvore de contatos. Quem liga para quem? Em que ordem?

Um porta-voz designado. Decida agora quem fala pela organização em uma crise.

Declarações de espera pré-redigidas. Escreva três ou quatro modelos para seus cenários de crise mais prováveis.

Uma política de mídia. Quem fala com repórteres?

Um checklist de canais. Onde você comunica? Quem tem as credenciais de login?

O princípio fundamental da comunicação de crise é simples, mesmo que executá-lo seja difícil: seja honesto, seja rápido, seja humano e cumpra o prometido.


Quando uma crise acontece, a última coisa que você precisa é correr atrás de listas de contatos e descobrir como alcançar todo mundo. Communify mantém seu diretório de membros, canais de comunicação e registros organizacionais em um só lugar -- para que quando mais importar, você possa focar na mensagem, não na logística. Participe do beta gratuito e esteja preparado antes de precisar estar.